
O Chitão do Cedro, que sempre foi realizado no último sábado de junho ou no primeiro de julho, data que servia para marcar a confraternização entre as famílias da cidade e também para culminar os festejos do padroeiro São João Batista, perdeu a sua tradição no atual governo.
O Chitão teve origem há três décadas, realizado pela primeira vez em 1974, na gestão de prefeito do meu pai, o Dr. Obi Diniz (in memorian), na Escola do Senai, tendo como um dos idealizadores o meu sogro, Dr. Rubens Bezerra de Albuquerque (in memorian).
O evento ficou marcado pelo traje padronizado (homem com calça branca e camisa de chita e mulheres de roupa de chita). A primeira festa do Chitão, que foi um grande sucesso, foi animada pela Banda de Idelbrando, da cidade do Crato.
Comprovado o sucesso da festa de 1974, logo o Chitão de Cedro ganhou expressão regional, com picos no final da década de 80 e início dos anos 90, quando o meu antecessor, ex-prefeito José Batista Filho “Dois de Ouro” (in memorian), jovem de visão de futuro, incluía na programação como atração principal, grandes artistas nacionais, destacando em 1989, a presença de Alceu Valença, em 1990, Chiclete com Banana, em 1991, Luiz Caldas e em 1992, Jorge de Altinho.
Como prefeito, Dois de Ouro melhorou a estrutura do CSU com a construção de uma nova quadra social, banheiros masculino e feminino e bilheterias.
Ao assumir a administração municipal, em 1993, mantive o mesmo compromisso do meu antecessor com a cultura cedrense. Criei também dentro dos festejos juninos o Festival de Quadrilhas, e banquei a festa com recursos próprios do município, pois na época não tínhamos a Secretaria de Cultura do Estado e nem o Ministério da Cultura que pudessem nos ajudar a promover tão grande evento. No meu governo, botei a festa pra frente com atrações de peso, trazendo ao Cedro em 1993, a Banda Mel da Bahia, em 1994, a dupla Leandro e Leonardo. Em 1995, a atração baiana Cheiro de Amor & Márcia Freire, e em 1996, o forrozeiro Flávio José.
Hoje, lamento ouvir a equipe do atual governo dizer que não possui recursos para realizar o Chitão. Deveriam ser sinceros com o povo cedrense e dizer que não se programaram para esta finalidade e que não estão habilitados a receber verbas do Ministério da Cultura e da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, uma vez que são órgãos sérios e que não destinam dinheiro para prefeituras que estão sendo investigadas pela Polícia Federal. A investigação passa inclusive pelo programa Garantia Safra, de grande importância para os trabalhadores rurais, que perderam as suas roças por conta da seca.
O CSU, que sempre acolhe o Chitão durante os 14 anos da gestão deles, não passou por nenhuma reforma ou melhoria. Sem visão de empreendedorismo e com o objetivo de acabar com esta tradição, nunca ergueram nesta unidade nenhum tijolo, apenas imprimiram uma marca com as cores da sua administração, além de mudarem o nome do prédio, como se estivessem fazendo algo de novo para a cidade.
Este governo, apesar de toda possibilidade de amparo, demonstrou desinteresse e falta de capacidade, enterrando a última cultura viva do Cedro. Como já foi anunciado pelo mesmo, a festa será realizada na segunda-feira, dia 19 de julho, quebrando uma tradição de antepassados e fechando as portas para os filhos ilustres ausentes, que retornavam para os seus locais de origem no domingo. Demonstrou ainda falta de respeito ao povo do Cedro, obrigando-os a participarem de uma festa em plena segunda-feira, e no dia seguinte, sem descanso, já ingressarem no trabalho novamente. Lembro-me das manhãs de sábado no dia do Chitão e do encontro que tínhamos na Praça da Matriz com os filhos que regressavam à terra de origem, apenas para prestigiar a festa. Também não me foge à memória a grande quantidade de ônibus da empresa Vale do Jaguaribe, que partia no domingo levando nossos conterrâneos e nos deixando tão grande saudade.
É importante afirmar que a festa do Chitão gerava riquezas para o nosso município, dando ao cidadão que trabalhava no evento a oportunidade de adquirir renda e investir em seu bem estar. Cedro perdeu uma grande oportunidade de investir no turismo, um dos segmentos que mais crescem nos últimos tempos.
Diante de tanto descaso para com o Chitão, resta para os cedrenses, que são os que fazem a história do Chitão, a única opção proposta por um governo que não visa a valorização da cultura e da história local do nosso povo.
Boa festa, se possível.